Anthropic denuncia campanhas de destilação em larga escala por empresas chinesas de IA

Anthropic denuncia quase 200 milhões de interações em ataques de destilação de IA por empresas chinesas, com a Alibaba liderando a extração de capacidades de seus modelos.

A Anthropic publicou um relatório detalhando uma escalada significativa em ataques de destilação realizados por empresas de inteligência artificial sediadas na China. Segundo o documento, laboratórios não autorizados desenvolveram métodos cada vez mais sofisticados para contornar as defesas da empresa e extrair as capacidades de seus modelos de fronteira. As campanhas identificadas miraram funcionalidades centrais do Claude, como uso de ferramentas, análise de dados, programação e raciocínio lógico.

Embora a Anthropic já tivesse alertado sobre essas práticas em fevereiro e a OpenAI tenha relatado atividades semelhantes atribuídas à DeepSeek, o novo levantamento aponta operações de escala e agressividade inéditas. No total, a companhia registrou quase 200 milhões de intercâmbios de dados vinculados a cinco campanhas distintas de destilação. O objetivo central dessas táticas é extrair a cadeia de pensamento dos modelos para treinar sistemas menores por meio de ajuste fino supervisionado.

Para proteger sua propriedade intelectual, a Anthropic costuma ocultar o raciocínio interno de seus modelos, exibindo apenas blocos de pensamento resumido. No entanto, os atacantes descobriram brechas para enganar o sistema e forçar a revelação direta dessas trilhas de pensamento. Em um dos casos mapeados, um invasor contornou as barreiras de segurança formatando a consulta como um pedido de tradução para o japonês em katakana, manipulando a memória de trabalho do modelo.

A maior parte dessas tentativas foi concentrada em uma campanha atribuída à Alibaba, descrita pela Anthropic como o maior esforço de destilação em atacado já observado pela empresa. Entre maio e julho de 2026, foram registrados 151 milhões de intercâmbios ligados a essa operação, com picos de quase três milhões de interações diárias. A atividade foi distribuída por 3,5 mil contas diferentes, que operavam de forma coordenada utilizando um único prompt fixo.

Imagem: Darlene Alderson / Pexels — Pexels License

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.