Destaques da Semana 18 de Agosto de 2025

Destaques da Semana AI Business Journal – Seu resumo semanal de tecnologia e inteligência artificial

Charge criada no Midjourney com base nos destaques da semana

Bem-vindo ao AI Business Journal. Hoje é 18 de agosto de 2025, e aqui está o que você precisa saber sobre os principais movimentos do mercado e as notícias mais relevantes sobre inteligência artificial no mundo. Clique em seguir no spotify e receba sempre na íntegra os destaques da semana. Nesta edição, reunimos os destaques que marcaram a semana — avanços tecnológicos, estratégias de gigantes do setor, impacto econômico e mudanças geopolíticas que moldam o futuro da IA.

 

Nova publicação da Times afirma que a inteligência artificial supera os juros como tema econômico central

Enquanto os mercados ainda debatem os efeitos das taxas de juros e do desemprego, especialistas alertam que o verdadeiro divisor de águas será a inteligência artificial. Com potencial de eliminar milhões de empregos administrativos e deslocar até metade da força de trabalho básica em poucos anos, a IA representa uma disrupção estrutural que vai muito além das flutuações monetárias. A estimativa é de que a tecnologia possa absorver até US$ 3 trilhões em capital nos próximos cinco anos.

Diferente de inovações históricas como o automóvel ou o telefone, a IA avança com uma velocidade que desafia os mecanismos tradicionais de adaptação econômica. Muitos analistas apontam que não há garantias de que os empregos perdidos serão compensados por novas indústrias, principalmente diante da automação em setores intensivos em conhecimento.

Diante disso, cresce a pressão por políticas públicas robustas para lidar com o impacto iminente. Incentivos fiscais, requalificação de trabalhadores e segurança financeira estão entre as soluções propostas. Ignorar esse cenário, segundo especialistas, é mais arriscado do que subestimar uma crise financeira.

Reino Unido testa IA para agilizar correção de exames

O Reino Unido iniciou testes para usar inteligência artificial na correção de provas nacionais, como os exames GCSE e A-level. A iniciativa da OCR promete reduzir o tempo de divulgação dos resultados de dois meses para apenas quatro semanas, utilizando modelos que interpretam digitalmente respostas manuscritas. A proposta é melhorar a eficiência do sistema educacional e, principalmente, reduzir o impacto negativo de previsões de notas imprecisas para alunos que dependem desses resultados.

O uso da IA tem potencial para beneficiar estudantes que frequentemente são subestimados por professores, com base em notas previstas. Além disso, a automação do processo pode ajudar a lidar com o alto volume de provas e minimizar o erro humano, especialmente em respostas longas e complexas. O ganho de escala e precisão poderá transformar o sistema de avaliação no Reino Unido e em outros países que adotem a tecnologia.

Apesar das promessas, o órgão regulador educacional Ofqual exige que cada resposta avaliada por IA seja supervisionada por um humano. Isso garante que decisões críticas, como aprovações ou reprovações, não fiquem exclusivamente nas mãos de algoritmos. A medida é vista como uma tentativa de equilibrar inovação com responsabilidade.

Avanço de novos modelos de IA derruba ações na Europa

A rápida evolução de modelos de IA avançados causou uma forte reação nos mercados europeus, derrubando ações de empresas como SAP e Dassault Systèmes. Investidores temem que as novas soluções, mais eficazes e baratas, substituam plataformas tradicionais, criando um cenário de obsolescência para empresas consolidadas. A insegurança atingiu especialmente empresas que integram IA de forma limitada ou superficial.

Enquanto índices globais como o FTSE 100 e o STOXX 600 registraram alta, impulsionados pelo entusiasmo com big techs nos EUA, o cenário europeu ficou marcado por uma correção severa. Analistas apontam que o ciclo de inovação da IA tem se acelerado de forma imprevisível, dificultando a adaptação de empresas com estruturas menos ágeis ou menor capacidade de P&D.

O episódio é mais um sinal de que a transformação digital já não é opcional, mas uma corrida por sobrevivência. A cada nova geração de IA — mais poderosa e acessível —, cresce a distância entre quem lidera e quem apenas acompanha a revolução tecnológica.

Índia debate ética e infraestrutura para IA em cúpula nacional

A Índia se prepara para um marco em sua jornada tecnológica com a realização do ET Soonicorns Summit, que acontecerá em Bengaluru. O evento reunirá autoridades, startups e líderes do setor para discutir os alicerces que sustentarão o futuro da IA no país: infraestrutura, segurança e ética. A cúpula busca definir diretrizes que posicionem a Índia como protagonista global na corrida pela inteligência artificial.

Com o crescimento exponencial de startups voltadas à IA, o país enfrenta o desafio de alinhar inovação com responsabilidade. O evento servirá também como espaço para debates sobre regulação, financiamento e uso ético dos dados. O objetivo é assegurar que o crescimento acelerado não venha à custa da confiança pública ou de violações de privacidade.

O Summit não apenas impulsiona o ecossistema local, mas também envia um recado claro ao mundo: a Índia quer ser referência em IA sustentável e ética. A articulação entre governo, academia e setor privado será essencial para consolidar esse objetivo.

 

Perplexity AI surpreende ao tentar comprar navegador Chrome

A Perplexity AI, startup em ascensão no setor de buscas com IA, causou surpresa ao oferecer US$ 34,5 bilhões para adquirir o navegador Chrome do Google. A proposta, não solicitada, é vista por muitos como simbólica, representando uma ofensiva contra o monopólio da gigante de Mountain View. A aquisição, se levada adiante, poderia reconfigurar completamente o mercado de navegação e busca na internet.

A estratégia da Perplexity se apoia em sua rápida ascensão e base de usuários crescente, ultrapassando 780 milhões de consultas mensais. Diferentemente do Google, seu modelo é baseado em IA generativa e não apenas em indexação tradicional. A empresa monetiza via publicidade, assinaturas e parcerias com e-commerce, indicando ambições maiores do que apenas competir no nicho.

Mesmo com acusações de uso indevido de propriedade intelectual, que a empresa nega veementemente, a Perplexity demonstra confiança para desafiar o status quo. O movimento é tanto ousado quanto arriscado, mas certamente reforça a tensão em torno do futuro da internet dominada por IA.

 

DeepSeek adia novo modelo de IA após falha com chips da Huawei

A startup chinesa DeepSeek teve que postergar o lançamento de seu aguardado modelo de IA devido a falhas com chips Ascend, fabricados pela Huawei. A empresa pretendia se afastar da dependência dos chips da Nvidia, em linha com a estratégia de autonomia tecnológica da China, mas esbarrou em limitações técnicas graves. Como resultado, precisou retomar o uso de hardware norte-americano para concluir o treinamento do modelo.

O episódio escancara a dificuldade que empresas chinesas enfrentam para alcançar independência computacional em IA de ponta. Mesmo com investimentos robustos e apoio do governo, os chips locais ainda não entregam desempenho ou estabilidade equivalentes aos das tecnologias ocidentais. Isso compromete cronogramas, aumenta custos e dificulta a concorrência em um mercado altamente dinâmico.

Mais do que um atraso pontual, o caso da DeepSeek serve como alerta para a China: sem infraestrutura de hardware competitiva, a ambição de liderar a corrida global de IA fica comprometida. A situação também reforça o domínio atual de empresas como Nvidia, cuja influência vai além da fabricação e se estende à própria direção da inovação em IA.

 

Baidu mira raciocínio avançado com novo modelo até o fim de agosto

A gigante chinesa Baidu anunciou que lançará até o fim de agosto um novo modelo de IA com foco em raciocínio avançado. A iniciativa representa um esforço para se diferenciar em um cenário cada vez mais saturado por modelos de linguagem generalistas, mirando casos de uso que exigem lógica, inferência e planejamento complexo. Essa é a segunda grande aposta da empresa após a estreia de um modelo semelhante em março.

O movimento ocorre num momento estratégico, com a Baidu tentando consolidar sua relevância frente a rivais como OpenAI e DeepSeek. A empresa também prometeu uma nova versão de seu modelo Ernie 5.0 para os próximos meses, elevando as expectativas sobre suas capacidades em áreas como geração de código, respostas jurídicas e automação industrial.

Mesmo diante das sanções dos EUA que restringem o acesso a chips de última geração, a Baidu mantém uma postura agressiva de inovação. Isso demonstra não só resiliência, mas também o desejo de transformar o mercado chinês em um polo competitivo frente ao Vale do Silício.

 

Anthropic lança recurso de “memória persistente” no Claude

A Anthropic anunciou um novo recurso para seu modelo de IA, Claude, que permite ao sistema manter uma memória persistente de interações anteriores com o usuário. Diferente do histórico temporário usado em chats convencionais, essa funcionalidade permite que o modelo aprenda preferências, estilo de escrita e até tópicos frequentes, tornando as respostas progressivamente mais personalizadas e contextuais.

Esse avanço coloca a Anthropic em linha com uma tendência crescente entre os grandes laboratórios de IA: criar assistentes cada vez mais “pessoais”, capazes de interagir de forma mais fluida e com menor redundância. A empresa assegura que os dados memorizados são visíveis ao usuário, que pode revisá-los, editá-los ou apagá-los a qualquer momento — uma abordagem pensada para mitigar preocupações com privacidade e controle.

O recurso, inicialmente disponível para um número limitado de usuários, tem potencial para transformar a forma como humanos interagem com IAs no longo prazo. Ao oferecer continuidade e retenção de contexto, Claude pode se aproximar da experiência de um verdadeiro assistente pessoal, indo além das limitações de memória de curto prazo típicas da maioria dos modelos atuais.

 

Adobe perde valor de mercado com avanço de concorrentes movidos por IA

A empresa Adobe teve sua recomendação rebaixada por analistas financeiros, que reduziram sua projeção de preço-alvo de US$ 400 para US$ 310. A justificativa está no crescimento acelerado de plataformas como Canva, Figma e Runway, que utilizam inteligência artificial para democratizar a criação de conteúdo visual. Essas ferramentas oferecem resultados impressionantes com poucos cliques, ameaçando o modelo tradicional da Adobe baseado em softwares complexos.

A nova geração de usuários, especialmente designers e criadores de conteúdo independentes, têm preferido soluções mais intuitivas e acessíveis. Com IA integrada, esses serviços permitem automação de tarefas antes manuais, como redimensionamento, estilização e geração de imagens, o que reduz a curva de aprendizado e os custos operacionais. Isso coloca em xeque o domínio histórico da Adobe em setores como design gráfico e edição de vídeo.

A avaliação negativa da empresa revela o impacto estrutural que a IA está causando em modelos de negócios consolidados. Mesmo com sua base de usuários fiel, a Adobe precisa agora repensar sua estratégia e talvez acelerar a integração de IA generativa em sua suíte de produtos para não ficar para trás.

 

Sam Altman compara GPT-5 ao Projeto Manhattan

Sam Altman, CEO da OpenAI, revelou estar “com medo” do GPT-5 e comparou seu impacto potencial ao Projeto Manhattan — responsável pelo desenvolvimento da bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial. Em entrevista recente, Altman afirmou que o modelo representa um avanço tão significativo que exige um novo tipo de responsabilidade por parte dos desenvolvedores e reguladores. Ele defende uma supervisão mais rígida e coordenada sobre o desenvolvimento de IAs avançadas.

Essa declaração reacende o debate ético sobre os riscos da IA em escala global. O temor não é apenas sobre o uso indevido da tecnologia, mas sobre sua autonomia, influência política e possíveis implicações sociais irreversíveis. Altman destaca que, sem regulamentação, os modelos podem ser explorados por governos ou corporações para manipulação em larga escala ou geração de desinformação.

Apesar do tom alarmante, o CEO reforça seu compromisso com a transparência e a construção de salvaguardas. Ainda assim, o fato de um dos principais nomes da indústria vocalizar esse tipo de apreensão apenas reforça o peso das decisões que cercam o futuro da IA.

 

Essas foram as principais notícias sobre tecnologia, inteligência artificial e o cenário global. Para acompanhar tudo em tempo real, acesse nosso spotify e fique por dentro do que realmente movimenta o mundo e a economia. Nosso resumo semanal vai ao ar toda segunda-feira, às 4h30 da manhã, no Spotify e no YouTube. E claro — assine a newsletter para receber os destaques direto no seu e-mail e estar sempre um passo à frente no mercado com notícias, análises de especialistas e benefícios de nossos parceiros para você e seu negócio!

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.