Dili capta US$ 21,7 milhões para levar conformidade com IA ao boom de infraestrutura

A Dili captou US$ 21,7 milhões para aplicar IA na conformidade de obras federais. A startup usa LLMs apenas para extrair dados, combinando-os com sistemas determinísticos.

A Dili, startup focada em conformidade regulatória, captou US$ 21,7 milhões em uma rodada Série A liderada pela Khosla Ventures. O aporte contou com a participação da Allianz, Rebel Fund, Darren Bechtel, da Brick and Mortar Ventures, e Garry Tan, do Y Combinator. A empresa busca resolver um gargalo crítico no atual boom de infraestrutura: a complexa teia de regras que envolve projetos de construção, especialmente aqueles financiados com recursos federais.

O setor de construção enfrenta um emaranhado de exigências sobrepostas, como as regras Davis-Bacon, que definem salários prevalecentes, e as normas PWA para projetos de energia limpa subsidiados pelo Inflation Reduction Act (IRA), além de diretrizes da OSHA e da EPA. Erros mínimos nesse cenário podem resultar em multas de milhões de dólares. Para mitigar esse risco, a Dili propõe uma verificação contínua e integral das informações, em vez de amostragens pontuais.

A arquitetura da startup foi desenhada para garantir confiabilidade e evitar as imprecisões típicas de modelos de linguagem (LLMs). A inteligência artificial contemporânea é utilizada exclusivamente na camada de dados, atuando como motor para traduzir documentos não estruturados em dados estruturados. A partir daí, um sistema determinístico organiza as informações de acordo com as regras de conformidade, que são complexas, mas estáticas.

Segundo Anand Chaturvedi, cofundador e CEO da Dili, a abordagem reduz tarefas que antes consumiam um dia inteiro de trabalho para apenas alguns minutos. O sistema é capaz de cruzar documentos internos, informações de fornecedores, dados de ERP e folhas de pagamento para extrair exatamente o que é necessário para relatórios e auditorias.

A solução já está em operação em cerca de 700 projetos, incluindo instalações de manufatura e data centers. O modelo de negócios da Dili atende a duas frentes: cerca de metade dos clientes utiliza o software como ferramenta interna, enquanto a outra metade terceiriza todo o processo de conformidade para a startup por meio de um modelo de contratação por projeto.

Imagem: Mikael Blomkvist / Pexels — Pexels License

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.