Grindr busca se tornar um superaplicativo e desafia o desconto de Wall Street

Grindr triplica projeção de receita e aposta em saúde e viagens sob George Arison, mas enfrenta ceticismo de Wall Street sobre sua nova estratégia de precificação e expansão.

Desde que assumiu o comando do Grindr em 2022, o CEO George Arison liderou uma profunda reestruturação da empresa, que havia passado por uma turbulenta transição de propriedade estrangeira para um resgate de private equity. O resultado financeiro tem sido expressivo: a receita caminha para quase triplicar, saltando de US$ 195 milhões em 2022 para uma projeção superior a US$ 540 milhões neste ano, com margens de EBITDA ajustado sustentadas acima de 40%. Esse crescimento tem sido impulsionado principalmente pelo aumento do gasto dos usuários atuais, e não por uma expansão massiva da base de clientes. No segundo trimestre, a plataforma contava com 1,4 milhão de assinantes pagantes, ou 9% de sua base total, mas o faturamento médio por usuário cresceu de forma considerável.

Para sustentar o próximo ciclo de expansão, Arison aposta na transformação do Grindr em um superaplicativo, concebendo o que ele chama de um ecossistema completo no bolso do usuário. A estratégia visa transcender o foco exclusivo em encontros e relacionamentos, integrando serviços de saúde e viagens. A plataforma planeja oferecer desde medicamentos para disfunção erétil e prevenção do HIV até a conexão com médicos gays, além de ferramentas para ajudar os usuários a encontrar comunidades locais durante suas viagens.

Paralelamente a essa expansão de serviços, a empresa prepara o lançamento de uma nova e polêmica camada de assinatura. O plano EDGE, que deve custar mais de US$ 350, já gerou reações negativas em parte da base de usuários, com críticas sobre a viabilidade e o valor do serviço. A iniciativa reflete a tentativa da companhia de testar os limites de disposição de pagamento de seu público mais engajado, em um movimento comum no setor de tecnologia de consumo.

No front corporativo, Arison trava uma batalha para eliminar o que classifica como o desconto do Grindr aplicado por Wall Street. O executivo argumenta que investidores institucionais desvalorizam as ações da empresa simplesmente por ser um aplicativo de encontros gay, chegando a aplicar redutores de 25% em modelos de valuation. Apesar do ceticismo inicial, grandes bancos como Morgan Stanley, Goldman Sachs e Raymond James recentemente elevaram suas metas de preço para as ações, indicando uma possível mudança na percepção do mercado sobre o potencial de crescimento da companhia.

Imagem: kargaltsev / Wikimedia Commons — CC BY 2.0

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.