Peter Steinberger, criador do OpenClaw e atual funcionário da OpenAI, teve sua conta na Anthropic temporariamente suspensa na última sexta-feira. A justificativa da empresa foi "atividade suspeita", mas o bloqueio foi revertido poucas horas depois, após a publicação viralizar nas redes sociais. Um engenheiro da Anthropic interveio nos comentários, esclarecendo que a empresa nunca baniu usuários por utilizarem o OpenClaw. O episódio ocorre dias após a Anthropic anunciar mudanças significativas em sua precificação. Assinaturas do Claude deixaram de cobrir o uso de "plataformas de terceiros, incluindo OpenClaw", exigindo que usuários paguem separadamente pelo consumo via API. A empresa justificou a decisão alegando que assinaturas não foram projetadas para os padrões de uso intensivo de claws — ferramentas que executam loops de raciocínio contínuo e se integram a múltiplas APIs externas. Steinberger, no entanto, questionou a explicação oficial. Em postagem posterior, sugeriu coincidência suspeita entre o fechamento do ecossistema e o lançamento de recursos similares no Cowork, agente proprietário da Anthropic. "Primeiro copiamos recursos populares para sua plataforma fechada, depois bloqueamos o código aberto", escreveu. A tensão entre modelos abertos e plataformas proprietárias segue como tema central no setor de inteligência artificial. O caso ilustra os dilemas de governança em plataformas de IA que operam simultaneamente como provedores de infraestrutura e competidores em nichos adjacentes. A Anthropic, ao lançar seu próprio agente Cowork, posiciona-se em conflito potencial com desenvolvedores de terceiros. A suspensão, mesmo que temporária, levanta questões sobre transparência e tratamento equitativo no ecossistema de desenvolvedores.



