A IA pode estender a vida humana e apoiar a sustentabilidade, unindo tecnologia e empatia para equilibrar inovação, meio ambiente e bem-estar.
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A IA pode estender a vida humana e apoiar a sustentabilidade, unindo tecnologia e empatia para equilibrar inovação, meio ambiente e bem-estar.
Apesar dos legítimos receios e críticas que frequentemente cercam a inteligência artificial generativa, especialmente no que diz respeito às implicações sociais e ambientais, existe uma perspectiva positiva que merece destaque. Ao contrário do que muitos indivíduos temem, algumas organizações e iniciativas demonstram que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta vital para promoção da sustentabilidade, da extensão da vida humana na terra e de um futuro que seja pautado por humanidade e tecnologia caminhando unificada e equivalentemente. E eu quer falar um pouco sobre elas logo a seguir:
A produção tradicional de alimentos tem enfrentado limites cada vez mais severos, desde a escassez de recursos naturais até os impactos climáticos associados. A NotCo, uma empresa chilena que se destacou mundialmente recebendo investimento de Jeff Bezos, por meio do fundo Bezos Expeditions e aportes de outros investidores relevantes como The Craftory e Tiger Global, desenvolveu uma inteligência artificial proprietária chamada Giuseppe, para revolucionar a forma como alimentos à base de plantas são criados.
Giuseppe faz uma análise da estrutura molecular de alimentos de origem animal, com base em uma incontável coleção de artigos científicos escritos por verdadeiros especialistas, e desenvolve sugestões de equivalentes vegetais, utilizando combinações às vezes improváveis que recriam cor, textura, aroma e sabor de produtos convencionais.
Ainda que humanos pudessem realizar essas atividades, o uso dessa tecnologia diminui drasticamente o tempo de desenvolvimento de novos produtos e de testes de sabor. O que antes poderia levar meses, e o esforço de dezenas de pessoas, agora se realiza em dias ou semanas.
A plataforma integra dados sensoriais, químicos, nutricionais e regulatórios para formular receitas escaláveis e saborosas, projetadas para agradar tanto ao público que possui dietas veganas, ovolactovegetarianas ou com restrição à lactose, quanto a consumidores que buscam alternativas sustentáveis sem abrir mão do prazer gastronômico.
Além disso, a inteligência artificial também contribui para reduzir o impacto ambiental da indústria alimentícia porque permite a substituição de ingredientes com alto custo ecológico, como o cacau, que enfrenta crises no fornecimento devido a fatores ambientais e geopolíticos, como a recente quebra de safra africana por praga, o histórico de baixo investimento e as mudanças climáticas.
Além do portfólio próprio, a NotCo lançou recentemente uma vertical B2B: a NotCo Tech, cuja IA Giuseppe é disponibilizada para outras indústrias alimentícias e tem clientes como Kraft Heinz, Starbucks, Burger King e Mars, que estão interessadas em reformular produtos com foco em sabor, nutrição e sustentabilidade. Isso representa um avanço importante para tornar a tecnologia acessível e multiplicar seus efeitos positivos no mercado global de alimentos sustentáveis. A esperança é que o movimento possa até extrapolar a bolha dos alimentos e atuar em áreas como fragrâncias, pet e farmacêutica.
As mudanças climáticas intensificam eventos extremos cujas consequências impactam vidas e economias, e isso é inegável.
A Earth-2, uma iniciativa da NVIDIA – que recentemente desbancou a Microsoft e se tornou a empresa mais valiosa do mundo justamente pela posição central no desenvolvimento de infraestrutura de data centers e chips avançados para suportar o método intrínseco de retropropagação das Inteligências Artificiais Generativas – ilustra como a inteligência artificial pode aprimorar a capacidade humana de compreensão e resposta ao clima.
Combinando computação acelerada e algoritmos avançados, a NVIDIA criou um “gêmeo digital” da Terra que produz simulações de alta resolução e baixa latência.
Esse modelo virtual permite a previsão antecipada de desastres naturais como furacões e incêndios florestais, e também possibilita a preparação e a elaboração de estratégias de mitigação desses mesmos eventos.
O gêmeo digital integra múltiplas fontes de dados em tempo real, proporcionando análises federadas que são acessíveis por governos, cientistas e comunidades de qualquer dispositivo.
Isso, se bem absorvido e incorporado cultural e institucionalmente, pode transformar a resposta a essas emergências em um processo menos traumático e muito mais rápido, coordenado e eficaz, minimizando perdas humanas e materiais,
além de propagar divulgação científica e educacional.
A tecnologia viabiliza também discussões políticas baseadas em evidências e colaborações globais, demonstrando como a IA pode ser fundamental para enfrentar um dos maiores desafios do século XXI e, automaticamente, se conectando ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável criado pela Organização das Nações Unidas de número 13.1: Fortalecer a resiliência e a capacidade de adaptação aos riscos climáticos e aos desastres naturais em todos os países.
Na saúde, a inteligência artificial também abre novos caminhos para terapias personalizadas e humanização dos cuidados.
O bAIgrapher, desenvolvido pela WideLabs – que já acumula iniciativas relevantes, como a criação da primeira IA generativa soberana do Brasil – em parceria com a UFCSPA, é um exemplo emocionante.
Essa ferramenta utiliza IA para modelagem biomolecular e criação de narrativas multimodais a partir das informações fornecidas por pacientes – especialmente aqueles com Alzheimer – e seus parentes e amigos mais próximos.
A ferramenta é capaz de compilar textos, imagens, áudios e documentos em fluxos narrativos coerentes e gerar biografias impressas e audiolivros personalizados que auxiliam na manutenção das funções cognitivas e tornam a terapia mais acessível.
Ao transformar lembranças em cuidado ativo, é criado um legado afetivo para pacientes e familiares, combinando tecnologia, ciência e empatia.
Essa terapia de reminiscência, que envolve a recordação de experiências vividas, que é importante, mas pouco acessível devido à complexidade de implementação e o custo que varia entre R$50,00 a R$350,00 por sessão, ganha escala e eficácia pela automação feita com rigor científico. Ou seja, além da inovação técnica, ela representa um novo paradigma no uso da IA para humanizar o tratamento e promover qualidade de vida em larga escala.
Apesar das potencialidades explícitas e positivistas, o avanço da IA exige uma reflexão ética constante. O alto consumo energético das infraestruturas
necessárias para a operação desses sistemas altamente complexos é algo que pode, inclusive, contrariar seus próprios objetivos de sustentabilidade. Além disso, a crescente automação e a dependência da IA na tomada de decisões apresentam questionamentos sobre transparência, justiça algorítmica e impactos sociais.
É crucial que o desenvolvimento tecnológico seja acompanhado por políticas públicas claras e orientações que garantam equidade, segurança e privacidade, minimizando riscos de exclusão e/ou abusos. Mas a tecnologia sempre se apresenta à frente das leis que deveriam cerceá-la e acabam por ficar submissas aos limites de códigos que sequer foram escritos pelas entidades que representam o povo.
Olhando para o futuro, a IA aplicada à alimentação, clima e saúde precisa estar inserida em uma visão sistêmica que valorize tanto a inovação quanto o impacto social e ambiental. A otimização energética, sistemas mais inteligentes de gerenciamento de resíduos, comércio circular e modelos de economia sustentável são exemplos de como a IA pode transformar radicalmente práticas atuais. Só precisamos de mais iniciativas olhando para isso.
Para que esses benefícios se concretizem, a colaboração entre governos, empresas, academia e sociedade civil é essencial. A democratização do acesso a essas tecnologias e a formação de comunidades informadas e críticas são passos fundamentais para garantir que a IA sirva ao bem comum, ao invés de terminar por nos destruir.
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