Fundo de IA Situational Awareness vende portfólio público à Citadel após perdas expressivas

Fundo de Leopold Aschenbrenner, ex-pesquisador da OpenAI, vendeu portfólio público à Citadel após perdas em ações de IA, mas mantém posições na Anthropic.

O hedge fund Situational Awareness, fundado pelo ex-pesquisador da OpenAI Leopold Aschenbrenner, vendeu a maior parte de seu portfólio de ações públicas para a Citadel, de Ken Griffin. A movimentação, reportada pelo The Wall Street Journal, ocorre após um mês de perdas acentuadas e representa uma mudança brusca de cenário para a gestora, que havia alcançado retornos expressivos no primeiro semestre.

Aos 25 anos e sem experiência prévia em trading, Aschenbrenner lançou o fundo em 2024 com base em sua tese de que a escalabilidade da inteligência artificial exigiria investimentos massivos em semicondutores, computação, memória e infraestrutura de energia. A estratégia inicial foi um sucesso estrondoso: até junho, o fundo registrou um retorno de 439% e atingiu um pico de 45 bilhões de dólares em ativos sob gestão, impulsionado pelo otimismo do mercado com o setor.

O cenário, contudo, deteriorou-se rapidamente com a queda generalizada nos investimentos em infraestrutura de IA. Em uma carta aos investidores em 24 de julho, Aschenbrenner classificou a desvalorização como uma das melhores oportunidades de compra desde o início do ano passado, solicitando novos aportes a partir de 1º de agosto. Segundo a Bloomberg, no entanto, a captação não atingiu as expectativas do gestor.

As perdas foram concentradas em ações de infraestrutura de IA, com quedas superiores a 30% em papéis de produtores de chips de memória como SK Hynix e Sandisk, além da desenvolvedora de energia limpa Bloom Energy e a provedora de nuvem Nebius Group. A desvalorização reflete a crescente preocupação dos investidores públicos com os gigantescos gastos de capital do setor e a incerteza sobre o retorno financeiro desses investimentos.

Apesar da liquidação do portfólio público, a Situational Awareness ainda mantém suas ações na Anthropic, preservando uma posição estratégica em inteligência artificial privada. A trajetória do fundo espelha a própria ascensão e os desafios de seu fundador, que deixou a equipe de superalinhamento da OpenAI em 2024 após uma demissão relacionada à divulgação de informações internas, antes de consolidar sua aposta no ecossistema de IA.

Imagem: DwarkeshPod / Wikimedia Commons — CC BY 4.0

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.