Gastos com IA por funcionário caem nas principais empresas em agosto

Gastos com IA por funcionário caíram quase 10% nas principais empresas em agosto, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade dos massivos investimentos no setor.

A adoção de ferramentas de inteligência artificial pelas empresas apresentou uma desaceleração notável em agosto. Dados de gastos de 70 mil empresas compilados pela plataforma de pagamentos Ramp indicam que 56% de seus clientes pagaram por produtos de IA no mês, um aumento marginal de apenas 0,4% em relação ao período anterior. Embora quedas sazonais sejam comuns, o ritmo extremo de expansão da infraestrutura de IA torna qualquer estagnação um motivo de alerta para o mercado.

Os pesados investimentos realizados por laboratórios de ponta e hyperscalers dependem da premissa de que haverá receita suficiente para justificar os custos. Até o momento, o uso cresceu acentuadamente, impulsionado especialmente por ferramentas de programação autônoma. No entanto, se a adoção desacelerar, a geração de receita provavelmente acompanhará essa tendência. É importante notar que os dados da Ramp podem superestimar a adoção geral devido ao perfil tecnológico de sua base de clientes; uma pesquisa do Census Bureau dos EUA aponta que apenas 22% das empresas utilizam IA.

Apesar de agosto ser tradicionalmente um mês de férias, o que pode explicar parte da estagnação, outros sinais de alerta emergem para as empresas que dependem do consumo de tokens. Segundo Ara Kharazian, economista da Ramp, os gastos com IA por funcionário no 1% superior das empresas analisadas caíram quase 10%, atingindo US$ 7.205. Esse recuo reflete não apenas o fator sazonal, mas também a redução drástica nos custos dos tokens.

Provedores como OpenAI e Anthropic reduziram seus preços, fazendo com que o custo médio por milhão de tokens caísse para US$ 0,68, em contraste com o pico de US$ 1,15 registrado em março. Os dados sugerem que os laboratórios ainda não conseguiram compensar a margem menor com o aumento do volume de uso. Além disso, a dinâmica de preços tem incentivado os clientes a optarem por modelos mais antigos e econômicos, em detrimento dos lançamentos de fronteira mais robustos.

Imagem: panumas nikhomkhai / Pexels — Pexels License

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.