Oratomic capta US$ 300 milhões para construir computador quântico viável com 20 mil qubits

Oratomic capta US$ 300 mi para criar computador quântico viável com 20 mil qubits, superando gargalos de correção de erros e atraindo grandes investidores.

A Oratomic, nova startup de computação quântica, anunciou a captação de US$ 300 milhões em uma rodada cofinanciada pela ARCH Venture Partners, Spark Capital e Khosla Ventures. O aporte expressivo reflete a confiança do mercado em uma abordagem inovadora que promete corrigir erros utilizando significativamente menos qubits — a unidade básica da computação quântica — do que se acreditava ser possível até então.

A correção eficaz de erros é o grande gargalo para tornar os computadores quânticos ferramentas verdadeiramente úteis, uma vez que são altamente sensíveis a ruídos. Dolev Bluvstein, cofundador e CEO da Oratomic, destacou que a descoberta recente foi o catalisador para a criação da empresa. Segundo ele, a equipe não considerava viável fundar uma companhia do setor anteriormente, pois a tecnologia parecia estar distante demais de uma aplicação prática.

Diferente de outras empresas que focam na criação de protótipos em escala intermediária ruidosa (NISQ) para cientistas e corporações, a Oratomic não pretende desenvolver ou vender esses sistemas. Bluvstein traçou um contraste com a PsiQuantum, avaliada em US$ 7 bilhões, que também ignora a fase NISQ, mas mira em um computador viável de um milhão de qubits. A estratégia da Oratomic é descrita como fundamentalmente mais simples e econômica, exigindo entre 10 mil e 20 mil qubits, cujos componentes centrais já foram demonstrados experimentalmente em menor escala.

A construção de um computador quântico em escala plena tem o potencial de revolucionar setores que dependem de cálculos complexos, como biotecnologia, química, logística, inteligência artificial e criptografia. O otimismo em torno dessa corrida tecnológica tem atraído forte entusiasmo de investidores, impulsionando a abertura de capital de startups como Infleqtion e Quantanium, além de valorizar as ações de empresas já listadas, como Rigetti e IonQ.

A convicção no potencial da Oratomic é tamanha que Vinod Khosla, um dos investidores da rodada, declarou na rede social X que este foi o maior investimento inicial já realizado por sua firma. A aposta sinaliza uma mudança de paradigma no setor, onde a viabilidade comercial da computação quântica tolerante a falhas pode estar mais próxima do que as projeções tradicionais sugeriam.

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.