Qualcomm lança chips de inteligência artificial para data centers e entra na disputa pelo mercado de inferência

Qualcomm apresenta chips de inteligência artificial AI200 e AI250, projetados para eficiência e inferência em data centers.

A Qualcomm apresentou seus novos chips de inteligência artificial voltados para data centers, marcando sua entrada oficial em um dos segmentos mais competitivos e lucrativos do setor tecnológico.

Qualcomm aposta em IA para redefinir seu futuro

A gigante de semicondutores Qualcomm, conhecida por dominar o mercado de chips para smartphones, anunciou dois novos sistemas projetados especificamente para cargas de trabalho de inferência em IA: o AI200 e o AI250. O lançamento, realizado em 28 de outubro de 2025, representa um passo ousado na tentativa da empresa de se firmar como protagonista no mercado de infraestrutura de inteligência artificial, hoje dominado por Nvidia e AMD.

O impacto foi imediato: as ações da Qualcomm subiram cerca de 11% após o anúncio, impulsionadas pela confiança dos investidores no potencial da empresa de conquistar uma fatia significativa do mercado de IA corporativa, avaliado em trilhões de dólares.

Dois chips, duas estratégias

O Qualcomm AI200, previsto para 2026, foca na eficiência e no custo-benefício, com 768 GB de memória LPDDR por placa — ideal para grandes modelos de linguagem e aplicações multimodais. Já o AI250, esperado para 2027, aposta em uma arquitetura de computação próxima à memória (“near-memory computing”) que promete aumentar em mais de 10 vezes a largura de banda efetiva da memória, um dos principais gargalos da inferência de IA.

“Com os chips AI200 e AI250, estamos redefinindo o que é possível para a inferência em larga escala”, afirmou Durga Malladi, vice-presidente sênior e gerente geral da Qualcomm Technologies. As soluções trazem refrigeração líquida direta, consumo de 160 kW por rack e recursos de computação confidencial para proteger modelos e dados corporativos sensíveis.

Parceria bilionária com a Humain

Um dos pontos mais estratégicos é a parceria multibilionária da Qualcomm com a Humain, empresa saudita de IA. O acordo prevê o uso de 200 megawatts de chips Qualcomm AI, o que pode gerar até US$ 2 bilhões em receita. A colaboração posiciona a Qualcomm como fornecedora-chave de infraestrutura para os serviços de inferência da Humain — uma validação importante antes mesmo do lançamento comercial dos chips.

Software, eficiência e o desafio contra gigantes

Além do hardware, a Qualcomm aposta em sua AI Inference Suite e na biblioteca Efficient Transformers, projetadas para simplificar a implantação de modelos de aprendizado de máquina e integrar frameworks populares, como os disponíveis na Hugging Face. Essa abordagem visa atrair desenvolvedores e acelerar a adoção empresarial.

Com Nvidia e AMD dominando o mercado, a Qualcomm enfrenta o desafio de conquistar espaço tardio em um setor em rápida expansão. No entanto, analistas acreditam que o crescimento acelerado da IA criará oportunidades para novos competidores com soluções mais otimizadas e sustentáveis. Como destacou o analista Timothy Arcuri, da UBS: “A maré está subindo tão rápido que levantará todos os barcos”.

Com o AI200 previsto para 2026 e o AI250 para 2027, a Qualcomm reforça seu compromisso de longo prazo em tornar a inteligência artificial mais acessível, eficiente e escalável para data centers em todo o mundo.

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.