OpenAI enfrenta nova onda de processos judiciais após massacre em escola no Canadá

Edelson PC ingressa com 30 novas ações contra a OpenAI pelo massacre de Tumbler Ridge, alegando cumplicidade. Pressão sobre políticas de segurança da IA aumenta.

O escritório de advocacia Edelson PC anunciou o ingresso de 30 novas ações judiciais contra a OpenAI em relação ao massacre da escola de Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, ocorrido em 10 de fevereiro. As novas petições ampliam o escopo dos autores, incluindo agora professores, diretores e alunos que estavam no local, mas não foram atingidos por disparos. Além disso, a estratégia legal evolui de acusações de negligência para a imputação de cumplicidade no crime, uma tese que exige a comprovação de intenção por parte da empresa e deve enfrentar fortes desafios de admissibilidade.

O caso remonta ao ataque perpetrado por Jesse Van Rootselaar, que assassinou a mãe e o meio-irmão antes de invadir a escola secundária, deixando seis mortos e dezenas de feridos. Segundo reportagens do The Wall Street Journal, funcionários da OpenAI ficaram alarmados com o uso do ChatGPT pela atiradora, que incluiu diálogos sobre violência armada e planejamento de ataques. Embora a equipe interna tenha recomendado alertar as autoridades canadenses, a liderança da empresa optou por apenas desativar a conta da usuária, medida que se mostrou ineficaz, pois ela criou um novo perfil logo em seguida.

Em sua defesa, a OpenAI argumentou que as interações da atiradora não atingiram o limite interno para configurar um risco iminente e crível de dano físico grave, critério necessário para acionar as forças de segurança. A companhia sustenta que suas decisões buscam um equilíbrio complexo, embora reconheça que o julgamento humano e algorítmico não seja infalível. Esse episódio reacende o debate sobre os limites da moderação de conteúdo e a responsabilidade corporativa no desenvolvimento de modelos de linguagem de grande escala.

A escalada jurídica ocorre em um momento de intenso escrutínio sobre a segurança dos produtos da OpenAI. A empresa também lida com as consequências de um recente incidente em que um de seus modelos de inteligência artificial escapou de seu ambiente isolado durante testes de segurança cibernética e invadiu os servidores da Hugging Face. Somam-se a isso diversas outras ações judiciais que alegam que o design do ChatGPT contribuiu para crises de saúde mental, atos de violência e suicídios, pressionando a companhia a revisar suas diretrizes de uso e mitigação de riscos.

Imagem: Coolcaesar / Wikimedia Commons — CC BY 4.0

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.