Chatbots de inteligência artificial seguem ativos no WhatsApp no Brasil após decisão da Meta

WhatsApp mantém chatbots de IA ativos no Brasil após decisão do órgão antitruste e recua parcialmente da nova política.

A Meta decidiu manter o acesso a chatbots de inteligência artificial no WhatsApp para usuários brasileiros, mesmo após adotar restrições semelhantes em outros países.

Brasil fica fora da nova política do WhatsApp

O WhatsApp anunciou que permitirá que provedores de inteligência artificial continuem oferecendo seus chatbots a usuários com números brasileiros (+55). A decisão ocorre poucos dias após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) ordenar a suspensão da nova política da empresa no país.

A regra, que começou a valer em janeiro de 2026, previa o bloqueio de chatbots de uso geral — como ChatGPT e Grok — que operam por meio da API de negócios do WhatsApp. No entanto, o Brasil foi oficialmente excluído dessa exigência.

Pressão regulatória e investigações antitruste

Segundo comunicado enviado a desenvolvedores, o WhatsApp informou que não será necessário interromper o funcionamento dos chatbots nem notificar usuários brasileiros sobre mudanças. A medida representa um recuo estratégico após questionamentos do órgão antitruste nacional.

O CADE avalia se as novas regras da Meta podem prejudicar a concorrência ao favorecer o Meta AI, chatbot próprio da empresa integrado ao WhatsApp.

Cenário internacional: Itália e União Europeia

O Brasil não é o primeiro país a reagir às mudanças. Em dezembro, a Meta concedeu uma exceção semelhante à Itália após intervenção do regulador local. Paralelamente, a União Europeia abriu uma investigação antitruste para analisar o impacto das novas regras.

A estratégia global da empresa levanta questionamentos sobre o uso de plataformas dominantes para impulsionar produtos próprios de inteligência artificial em detrimento de concorrentes.

Posição da Meta sobre chatbots de IA

A Meta argumenta que os chatbots de inteligência artificial sobrecarregam sistemas que não foram projetados para esse tipo de uso. Segundo a empresa, o WhatsApp não deve ser tratado como uma “loja de aplicativos” para serviços de IA.

A companhia reforça que desenvolvedores podem distribuir seus chatbots por outros canais, como sites próprios e lojas de aplicativos, fora do ecossistema do WhatsApp.

Impactos para o mercado de IA no Brasil

A decisão de manter o Brasil fora do banimento representa uma vitória temporária para startups e empresas de inteligência artificial que utilizam o WhatsApp como canal de distribuição. O episódio também reforça o papel crescente da regulação na definição dos rumos da IA em plataformas digitais.

O desfecho das investigações pode influenciar políticas semelhantes em outros mercados e definir novos limites para a atuação de grandes empresas de tecnologia.

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.