Microsoft anuncia novos data centers de inteligência artificial e promete não elevar conta de luz

A empresa também destacou que os projetos devem gerar tanto empregos temporários durante a construção quanto posições permanentes para a operação dos centros de dados.

A expansão da inteligência artificial continua acelerando investimentos em infraestrutura, e a Microsoft anunciou uma nova onda de data centers voltados ao suporte de cargas de trabalho de IA. Diferente de anúncios anteriores do setor, a empresa afirma que adotará uma abordagem “community-first”, prometendo que a expansão não resultará em aumento nas contas de energia dos consumidores locais.

Infraestrutura de IA cresce em meio a críticas públicas

O anúncio ocorre em um momento de forte resistência pública à construção de data centers, especialmente por causa do impacto no consumo de energia, uso de água e efeitos ambientais. Ainda assim, a Microsoft reafirma seus planos de investir bilhões de dólares na expansão de sua infraestrutura de IA generativa, seguindo a tendência de outras big techs.

A empresa afirmou que irá “pagar a própria conta” ao trabalhar diretamente com concessionárias e comissões reguladoras para garantir que o custo adicional gerado por seus data centers não seja repassado aos moradores das regiões afetadas.

Compromisso com energia, empregos e sustentabilidade

Segundo a Microsoft, os novos projetos incluem compromissos claros com eficiência energética, redução do uso de água e criação de empregos locais. O uso intensivo de água por data centers tem sido um dos principais pontos de crítica por parte de comunidades e organizações ambientais.

A empresa também destacou que os projetos devem gerar tanto empregos temporários durante a construção quanto posições permanentes para a operação dos centros de dados.

Pressão política e reação das comunidades

A construção de data centers se tornou um tema político sensível nos Estados Unidos. Grupos comunitários em mais de 20 estados vêm organizando protestos contra novos projetos, alegando impactos ambientais e aumento no custo de vida.

A própria Microsoft já sentiu esses efeitos. Em 2025, a empresa abandonou planos para um data center em Wisconsin após forte oposição local e enfrenta protestos semelhantes em outras regiões do país.

IA e consumo energético no centro do debate

Com a popularização da inteligência artificial, especialistas estimam que o consumo elétrico da IA nos Estados Unidos possa crescer de forma exponencial na próxima década. Isso torna o controle de custos e a relação com comunidades locais fatores críticos para o sucesso desses projetos.

Ao prometer que suas operações não elevarão as contas de luz residenciais, a Microsoft tenta reduzir a resistência pública e manter o ritmo de expansão necessário para sustentar serviços de IA, nuvem e parcerias estratégicas, como sua colaboração com a OpenAI.

Desafio será transformar promessas em aceitação

Embora os compromissos anunciados sinalizem uma mudança de postura, ainda resta saber se as promessas de responsabilidade social, ambiental e econômica serão suficientes para reverter a opinião pública negativa em torno da expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Para a Microsoft, o desafio não é apenas técnico, mas também político e social, em um cenário em que a IA se consolida como um dos principais motores de crescimento da indústria de tecnologia.

Paulo Junio

Paulo Júnio de Lima é Administrador com MBA em Marketing Digital e especialista em estratégia, inovação e gestão de projetos. Na Comunicação e Relações Públicas da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, desenvolve soluções para fortalecimento institucional. Com passagens por ORO, Agência Open, Brasil84 e VTIC, acumula experiência em marketing digital, branding e transformação digital. Certificado pelo IA Lab do Estúdio Kimura, aplica inteligência artificial em design, automação e comunicação. Membro ativo da Ordem DeMolay há mais de 18 anos, atua também em projetos sociais e educacionais.