Apesar da popularização da IA, apenas 2% a 3% das empresas usam a tecnologia em RH para recrutamento, gestão da jornada do colaborador ou planejamento da força de trabalho.
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Apesar da popularização da IA, apenas 2% a 3% das empresas usam a tecnologia em RH para recrutamento, gestão da jornada do colaborador ou planejamento da força de trabalho.
Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser a ficção científica (que era para a maioria das empresas) para entrar, de fato, no mercado. Mas dentro do mundo corporativo, quando falamos de Recursos Humanos (RH), a distância entre o discurso e a prática ainda é grande. Uma sondagem da Koru, em parceria com a HRTech Flash, realizada com cerca de 200 gestores de RH, mostrou que apenas 2% a 3% das empresas utilizam IA em processos como recrutamento, mapeamento da jornada do colaborador ou workforce planning, que pode ser traduzido como “planejamento da força de trabalho”.
Esse contraste fica evidente quando olhamos para outros setores. Há bancos, por exemplo, em que mais de 90% das concessões de crédito são rodadas por IA, constatou levantamento do Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás, o CEIA/UFG. Nas seguradoras, praticamente todas utilizam algoritmos avançados para avaliação de sinistros. O RH, por outro lado, opera majoritariamente em silos, com dados fragmentados e processos que não conversam entre si. Sem integração de bases, fica difícil escalar modelos preditivos ou mesmo aplicar automação de forma estratégica.
Outro ponto é o investimento. A pesquisa da Koru mencionada anteriormente também mostrou que, em 2025, a prioridade das empresas brasileiras dentro do Desenvolvimento de Pessoas era treinar e capacitar (54,9%), seguida de tecnologia e inovação (51,2%). Contudo, mais de 47% delas pretendem investir menos de R$ 1 mil por colaborador, o que, nesse cenário, pode ser considerado pouco. Ou seja, todos falam em transformar o RH pela tecnologia, mas não investem o suficiente para que essa transformação aconteça em escala.
É nesse contexto que criamos o Think Tank AI no RH, uma iniciativa inédita da Koru para dar visibilidade a quem já está conseguindo romper essa barreira. O mercado fala muito sobre IA, mas mostra pouco do que está sendo feito. Nosso objetivo é simples: reunir cases reais de empresas brasileiras que estão usando agentes de IA para liberar o RH do operacional e abrir espaço para o estratégico. Queremos mostrar que essa transformação é possível e já está acontecendo no país.
Hoje, o que vejo de mais maduro no Brasil são as People Ops (Operações de Pessoas), sistemas que centralizam informações de diversas fontes (como folha de pagamento, desempenho, benefícios e treinamentos) para suportar os líderes e o RH em modelos self service, quando as tarefas mais operacionais do RH são transferidas aos colaboradores pelo uso de um aplicativo (agendamento de férias, por exemplo). As People Ops geram dados que possibilitam análises mais sofisticadas, abrindo caminho para aplicações concretas da IA, como análises de jornada e até recomendações personalizadas de desenvolvimento de habilidades.
Para fazermos esse avanço, precisamos ter em mente que, em breve, a IA aplicada a decisões de carreira, remuneração ou contratação poderá ser classificada como tecnologia de alto risco pela legislação brasileira, em linha com a regulação europeia. O Projeto de Lei 2338/23 proposto pelo Senado Federal, que visa regulamentar o uso de IA no país, classifica os sistemas de IA quanto aos níveis de risco para a vida humana e de ameaça aos direitos fundamentais, o que é absolutamente importante. Isso significa que, por lei, as decisões finais do RH sempre precisarão passar por um humano, porque quando falamos de contratação ou de salário, estamos falando de questões que têm impacto em uma vida.
Meu conselho para empresas que querem investir em IA para o RH é começar pelos problemas mais críticos que a organização vem enfrentando. Seja um gargalo em recrutamento, uma rotatividade alta ou processos administrativos sobrecarregados. A boa notícia é que os recursos técnicos estão cada vez mais acessíveis, com ferramentas gratuitas ou de baixo custo. Existem bibliotecas open source (código aberto) e modelos de IA generativa integráveis para que você experimente sem fazer um grande investimento, para só depois expandir os projetos. Então, prepare o time de TI.
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Daniel Spolaor é cofundador e CEO da Koru, empresa de educação corporativa personalizada que já acelerou mais de 12 mil carreiras e conquistou mais de 300 companhias do porte de Suzano, O Boticário, Alpargatas (Havaianas) e iFood. O experiente profissional atua há duas décadas na área, tendo sido diretor de Gente, Operações e Estratégia para empresas como a Falconi, a Ambev para a América do Sul e a AmbevTech. Atualmente ele ainda atua como conselheiro de empresas, como da Climatempo.
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